tudo isso - essas fotos, essas flores, essas folhas verdes - são a prova cabal do que está escrito aí do lado, que plantar não requer prática, tampouco habilidade. simplesmente porque, para irmos direto ao assunto, há dois meses que eu estou regando todas as minhas plantas com SABÃO ao invés de fertilizante. não, não foi por querer. sim, uma ENORME estupidez. acontece que, por uma coisa ou outra, fui levada a acreditar que o conteúdo de uma certa garrafa era fertilizante, quando na verdade era sabão de lavar roupa líquido.
eu diluía 1ml de sabão (!) por litro de água para regá-las, o que não é muito, mas já suficiente para fazer espuma e estrago. enfim, me senti a maior idiota do planeta quando descobri, mas compartilho aqui a situação para mostrar que mesmo quando fazemos tudo errado, quando tentamos assassinar as plantas aos poucos, elas ainda sobrevivem, crescem e dão flor... o que é muito impressionante e me fez pensar numa série de coisas.
por exemplo, mesmo com toda a poluição gerada pelo ser humano, e que se encontra em toda parte do planeta - na atmosfera, na água, no solo - ainda existem florestas. mas que isso não é sinal de que na verdade os níveis de poluição não são tão altos assim, ou que ainda existem partes do planeta que estão intocadas. isso significa que existem plantas, existem insetos, existem animais, que são durões e aguentam coisas bizarras, como sobreviver bebendo água com sabão. aqui, algumas - como foi o caso da gérbera - não se mostraram sequer afetadas ao mínimo.
entretanto, como eu também pude observar na minha horta, algumas plantas não suportaram e morreram ou estão mesmo nas últimas, como o coentro. outras simplesmente não cresceram ou cresceram muuuito devagar, como os pimentos, que estão com uns dois centímetros de altura e duas folhas há dois meses, ou mesmo os tomates, que também estão demorando muito (com exceção de três dos pés) para se desenvover. o que nos leva de volta ao caso global, quantas plantas e bichos não são, de fato, afetados? porque as plantas e os animais que nos são mais próximos (os animais domesticados que utilizamos, os que comemos, nossos bichos de esimação e também os que nos causam transtornos, as plantas que cultivamos como alimento, como decoração, além das pragas que combatemos) o são, entre outros motivos, por sua qualidade resiliente - são espécies que favorecem o cultivo, de uma forma ou de outra.
assim, eu acredito que haja uma falsa impressão de que existe por aí montes de "natureza", mas que na verdade a "natureza selvagem", as espécies não-domesticadas, vão sucumbindo invisivelmente, porque elas não curtem beber sabão. e nessa, bye bye biodiversidade.
de dados chocantes os relatórios sobre o clima estão cheios, mas esses dias fiquei sabendo que 32% da biomassa dos animais vertebrados no planeta é constituída por nós humanos, os animais que criamos (em sua maioria para comer) compõem 65%, enquanto isso, animais selvagens correspondem a (menos de) 3% da biomassa total de vertebrados.
menos de 3% é ridículo. nós, seres humanos, claramente não gostamos de compartilhar. e continuamos regando o mundo com sabão.
aqui na horta eu já parei com essa bobeira. assim que tiver tempo vou dar uma guaribada geral, trocar algumas plantas de vaso, plantar novas (e outras) coisas. tenho que comprar guano para agradar e pedir desculpas às valentes plantinhas. essa brincadeira me fez perder boa parte do sol do ano, mas nem tudo tem que ir por água abaixo.
fica aqui uma foto do mini-alho que colhi hoje, uma cabeça de alho do tamanho de um só dente. o coitado deve ter um gosto estranho. não sei se é boa ideia comê-lo, mas ao mesmo tempo me parece desrespeitoso (para com a planta que sobreviveu ao meu atentado) não o fazer. se acontecer, depois eu digo como foi.
isso tudo para dizer que veja lá, não tem como fazer errado, plantas são umas paradas incríveis, e estão sempre a nos surpreender. além de serem comida. mesmo quando fazemos tudo errado elas resistem - pelos menos algumas.
então eu sugiro que plantem, plantem flores, plantem hortas, plantem pomares. assim fazemos algo fundamental: aprendemos a plantar. do jeito que as coisas vão eu não arriscaria ser totalmente ignorante das artes da terra.
plantar é preciso.
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